Cônicas: parábola, elipse e hipérbole
Descubra cônicas como lugares geométricos, construa equações e interprete focos, assíntotas e interseções com pontos e retas.
Objetivos de aprendizagem
- Traduzir uma condição de distância em equação.
- Identificar cônicas e seus elementos.
- Resolver interseções preservando casos degenerados.
Está difícil? Revise antes: Polígonos Regulares e Circunferência Analítica, Funções Quadráticas e Polinômios
Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.
Entenda o conceito
Imagine marcar todos os pontos que ficam à mesma distância de um ponto fixo: surge uma circunferência. Essa coleção é um lugar geométrico. As cônicas também podem ser obtidas cortando um cone por um plano; aqui vamos estudá-las por distâncias no plano cartesiano, sem cálculo diferencial.
Recupere distância entre pontos e completar quadrados antes de continuar. Uma circunferência tem centro (h,k), raio r e equação (x−h)²+(y−k)²=r². Ela é um caso de elipse com os dois focos no centro. Uma parábola vista como gráfico quadrático ganhará agora uma interpretação por foco e diretriz.
Parábola é o conjunto dos pontos equidistantes de um foco F e de uma reta, a diretriz. Para F=(0,p) e diretriz y=−p, iguale √(x²+(y−p)²) a |y+p|. Elevando ao quadrado e cancelando termos, vem x²=4py. O vértice é (0,0); p é uma distância orientada e não é zero. Se p é negativo, a abertura é para baixo. Trocando os eixos, y²=4px abre para a direita ou esquerda.
Ao deslocar o vértice para (h,k), escreva (x−h)²=4p(y−k): foco (h,k+p), diretriz y=k−p. Para a parábola horizontal, (y−k)²=4p(x−h), foco (h+p,k). Substituir coordenadas verifica se um ponto pertence à curva; a igualdade das distâncias dá uma conferência geométrica independente.
Elipse reúne pontos cuja soma das distâncias a dois focos é constante, 2a. Com focos (±c,0), a>c≥0 e b²=a²−c², a equação é x²/a²+y²/b²=1. Os semieixos são a e b, não os comprimentos totais. Se o maior denominador está sob y², o eixo maior é vertical e os focos são (0,±c). Some h e k às coordenadas para transladar o centro.
Na elipse, o valor S=(x−h)²/a²+(y−k)²/b² distingue ponto interno (S<1), sobre a borda (S=1) e externo (S>1). Para encontrar uma reta secante ou tangente, substitua sua equação na elipse: duas raízes reais distintas dão dois encontros, uma raiz dupla dá tangência e nenhuma raiz real dá reta externa. Retas verticais são tratadas substituindo x diretamente.
Hipérbole reúne os pontos em que o valor absoluto da diferença das distâncias aos focos é 2a. Com eixo transversal horizontal, x²/a²−y²/b²=1 e c²=a²+b². Os vértices são (±a,0), os focos (±c,0). As retas y=±(b/a)x são assíntotas: indicam as direções de aproximação dos ramos, não bordas de uma região fechada. Com centro (h,k), use y−k=±(b/a)(x−h). Se o termo positivo é o de y, o eixo é vertical e as assíntotas são y−k=±(a/b)(x−h).
Na hipérbole, substituição decide pertencimento; não use os rótulos interior/exterior de uma elipse para uma curva aberta. Uma reta pode encontrar a hipérbole em zero, um ou dois pontos. Um único encontro não prova tangência: uma reta paralela a uma assíntota pode reduzir a equação a primeiro grau. Tangência em ponto regular corresponde à raiz dupla quando a substituição conserva o grau dois.
Para reconhecer Ax²+Bxy+Cy²+Dx+Ey+F=0, primeiro agrupe termos e complete quadrados quando B=0. Quadrados com mesmo sinal sugerem elipse; sinais opostos, hipérbole; só um quadrado, parábola. Confira a constante: x²+y²=−1 não tem ponto real; x²+y²=0 é um ponto; x²−y²=0 é um par de retas. O teste B²−4AC distingue os tipos não degenerados: negativo elíptico, zero parabólico e positivo hiperbólico. Ele não garante existência nem não degeneração.
O termo xy pode representar eixos girados. Basta reconhecer isso e, em casos simples, usar uma troca explícita: u=(x+y)/√2 e v=(x−y)/√2 transformam xy=1 em u²−v²=2. Não é necessário desenvolver a teoria universitária de matrizes de formas quadráticas para reconhecer a curva. Depois de identificar, interprete centro, eixos e pontos, em vez de memorizar apenas o discriminante.
- Foco
- Ponto fixo usado na condição de distância.
- Diretriz
- Reta fixa na definição da parábola.
- Assíntota
- Reta da qual um ramo se aproxima indefinidamente.
- Semieixo
- Metade de um eixo da elipse.
Fórmulas explicadas
Igualdade entre distância ao foco e à diretriz.
Quando usar: p≠0; eixo vertical.
Cuidado: p não é o coeficiente de x² em y=ax².
- p
- deslocamento orientado do vértice ao foco
Relaciona focos e semieixos.
Quando usar: a é o semieixo maior da elipse ou transversal da hipérbole.
Cuidado: Não trocar soma e diferença.
- c
- distância do centro ao foco
Exemplo resolvido passo a passo
Do desenho à parábola
Enunciado
Encontre a equação da parábola com foco (0,2) e diretriz y=−2; teste P=(4,2).
- Dados
-
- F=(0,2)
- diretriz y=−2
- P=(4,2)
- Fórmula
- x²=4py
- Substituição
- p=2; 4p=8
Resolução
- O vértice fica no ponto médio entre foco e diretriz, (0,0).
- A condição de distâncias dá x²=8y.
- Em P, 16=8×2; a distância ao foco e à diretriz é 4.
Resultado: x²=8y; P pertence.
Interpretação: Abertura vertical para cima; o teste confirma a definição geométrica.
Exercícios com solução
Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.
Exercício 1 · Exercício guiado
Para (x−1)²=8(y+2), encontre vértice, foco, diretriz e encontros com y=0.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- h=1, k=−2 e 4p=8, logo p=2.
- V=(1,−2), F=(1,0), diretriz y=−4.
- Com y=0, (x−1)²=16: x=−3 ou 5.
Resposta: V=(1,−2); F=(1,0); y=−4; encontros (−3,0) e (5,0).
Exercício 2 · Prática independente
Em x²/25+y²/9=1, encontre os focos e classifique O=(0,0), P=(0,3), Q=(0,4). Como a reta y=3 encontra a elipse?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- c²=25−9=16, portanto os focos são (±4,0).
- O dá 0<1, P dá 1 e Q dá 16/9>1: interno, sobre, externo.
- Substituir y=3 dá x²/25=0: raiz dupla x=0, tangência em P.
Resposta: Focos (±4,0); O interno, P sobre, Q externo; y=3 tangente.
Exercício 3 · Prática independente
Para x²/9−y²/16=1, dê focos e assíntotas; encontre as interseções com x=3 e com y=0. O ponto (0,0) pertence?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- a=3, b=4 e c=5: focos (±5,0), assíntotas y=±4x/3.
- x=3 dá y=0 duplo: reta tangente no vértice.
- y=0 dá x=±3. A origem dá 0≠1 e não pertence.
Resposta: Focos (±5,0); y=±4x/3; (3,0) e, no eixo x, (±3,0); origem fora da curva.
Exercício 4 · Aplicação em nível de prova
Classifique: A) x²+4y²−4x+8y=8; B) xy=1; C) x²−y²=0; D) y²=−4x. Justifique sem usar só o nome.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- A vira (x−2)²+4(y+1)²=16: elipse de centro (2,−1).
- B, nos eixos u=(x+y)/√2 e v=(x−y)/√2, vira u²−v²=2: hipérbole.
- C é (x−y)(x+y)=0: duas retas. D é parábola horizontal com p=−1, foco (−1,0).
Resposta: A elipse; B hipérbole girada; C duas retas; D parábola para a esquerda.
Exercício 5 · Aplicação em nível de prova
A reta y=(4/3)x+4 tem apenas um encontro com x²/9−y²/16=1. Isso garante tangência? Calcule o encontro.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- A substituição resulta −2x/3−1=1, uma equação linear.
- x=−3 e y=0; a reta é paralela a uma assíntota.
- Não é tangente: a tangente no vértice (−3,0) é a reta vertical x=−3.
Resposta: Não; encontro (−3,0), com redução a primeiro grau.
Você aprendeu
- Parábola iguala duas distâncias; elipse fixa uma soma; hipérbole fixa uma diferença absoluta.
- Equações também podem representar conjuntos degenerados.
- Substituição em uma reta exige conferir o grau antes de contar encontros.
Fontes e atualização
Conteúdo revisado em 09/10/2026.
- Cônicas e lugares geométricos — OpenStax — Rice University. Cônicas e lugares geométricos