Semelhança e relações na geometria plana
Relacione ângulos, triângulos, quadriláteros e circunferências para justificar medidas, reconhecendo quando usar semelhança, congruência e potência de ponto.
Objetivos de aprendizagem
- Distinguir congruência de semelhança.
- Usar elementos e pontos notáveis do triângulo.
- Calcular medidas em polígonos e circunferências.
Está difícil? Revise antes: Ângulos e razões trigonométricas, Áreas de Triângulos por Lados e Coordenadas, Círculos, Setores e Arcos
Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.
Entenda o conceito
Desenhar ajuda a descobrir relações, mas a aparência não prova uma medida. Ângulos opostos pelo vértice são iguais; ângulos adjacentes sobre uma reta somam 180°. Quando uma transversal corta paralelas, alternos internos e correspondentes são iguais, enquanto colaterais internos somam 180°. Verifique o paralelismo antes de usar essas relações.
Três comprimentos positivos formam um triângulo se cada um é menor que a soma dos outros dois. Basta conferir o maior: 2,3,6 não fecham um triângulo. Quanto aos lados, um triângulo é equilátero, isósceles ou escaleno; quanto aos ângulos, acutângulo, retângulo ou obtusângulo. Seus ângulos internos somam 180° e um externo é a soma dos dois internos não adjacentes.
Congruência significa mesma forma e tamanho. Os critérios lado-lado-lado, lado-ângulo-lado (ângulo compreendido) e ângulo-lado-ângulo permitem concluir congruência sem medir tudo. Semelhança preserva a forma, admitindo escala: dois ângulos iguais bastam; também servem três lados proporcionais ou dois proporcionais e o ângulo compreendido igual. A correspondência dos vértices determina quais lados comparar.
Se lados correspondentes têm razão k, perímetros têm razão k e áreas, k². Uma ampliação que dobra o lado quadruplica a área. Segmentos paralelos recortam triângulos semelhantes, justificando as proporções de Tales. Num triângulo retângulo, a altura h até a hipotenusa c divide-a em projeções m,n: c=m+n, h²=mn e os quadrados dos catetos são cm e cn.
Mediana liga um vértice ao ponto médio oposto; altura é perpendicular à reta do lado oposto; bissetriz divide o ângulo ao meio; mediatriz é perpendicular ao lado em seu ponto médio. As medianas encontram-se no baricentro, que divide cada uma na razão 2:1 a partir do vértice. Alturas encontram-se no ortocentro; bissetrizes, no incentro (centro da circunferência inscrita); mediatrizes, no circuncentro (centro da circunscrita). Esses pontos não coincidem em geral.
A bissetriz interna divide o lado oposto em segmentos proporcionais aos lados adjacentes. A base média de um triângulo liga pontos médios de dois lados: é paralela ao terceiro e tem metade de seu comprimento. Num trapézio, o segmento entre pontos médios dos lados não paralelos mede (B+b)/2.
Paralelogramos têm lados opostos paralelos e iguais e diagonais que se cortam ao meio. Retângulos têm quatro ângulos retos e diagonais iguais; losangos têm quatro lados iguais e diagonais perpendiculares; quadrados reúnem ambas as propriedades. Trapézio aqui significa quadrilátero com apenas um par de lados paralelos. Suas áreas são bh no paralelogramo, Dd/2 no losango e (B+b)h/2 no trapézio.
Um polígono regular tem lados e ângulos iguais. Traçando segmentos do centro aos vértices, decompõe-se em triângulos com altura igual ao apótema: área=perímetro×apótema/2. A soma dos ângulos internos de um polígono convexo de n lados é (n−2)180°, e a soma dos externos orientados numa volta é 360°.
Uma tangente toca a circunferência num ponto e é perpendicular ao raio ali; uma secante corta em dois. Duas tangentes traçadas de um mesmo ponto externo têm segmentos iguais. Um ângulo inscrito mede metade do arco interceptado; o ângulo central mede o próprio arco. Um ângulo inscrito numa semicircunferência é reto.
A potência de um ponto resume produtos de segmentos: para cordas que se cruzam dentro, PA×PB=PC×PD; para duas secantes a partir de um ponto externo, parte externa×secante inteira é constante; com tangente, PT²=PA×PB. Não substitua a secante inteira apenas pelo trecho interno. Áreas de círculo e setor permanecem πr² e (θ/360°)πr²; uma coroa circular tem área π(R²−r²).
A bissetriz externa de um ângulo do triângulo divide externamente o lado oposto na mesma razão dos lados adjacentes: |BD|/|CD|=AB/AC, com D na reta BC fora do segmento. Se AB>AC, D fica além de C; se AB<AC, além de B. No caso isósceles AB=AC, a bissetriz externa é paralela a BC e não existe ponto finito de divisão externa. Não use BD+DC=BC quando D está fora do segmento.
Para um polígono regular inscrito numa circunferência de raio R, o triângulo formado pelo centro, um vértice e o ponto médio de um lado é retângulo. Assim lado=2R sen(π/n) e apótema=R cos(π/n); o apótema é o raio da circunferência inscrita. Em qualquer triângulo, área=r·s com s o semiperímetro dá o raio inscrito; a relação área=abc/(4R) dá o circunscrito. No triângulo retângulo, o circuncentro é o ponto médio da hipotenusa e R é metade dela.
Uma linha poligonal é uma sequência finita de segmentos consecutivos: o fim de um é o início do seguinte. É aberta se as extremidades não coincidem e fechada se coincidem. É simples se os segmentos não se cruzam fora das extremidades comuns; uma poligonal fechada simples delimita um polígono. O comprimento do percurso é a soma dos segmentos, não a distância direta entre o início e o fim. Em A=(0,0), B=(3,0), C=(3,4), o caminho A–B–C mede 7, mas AC mede 5; fechar C–A dá perímetro 12.
Uma ceviana liga um vértice a um ponto do lado oposto. Nem toda ceviana é altura, mediana ou bissetriz. No triângulo ABC, D está dentro de BC; escreva BD=m, DC=n, BC=a=m+n, AB=c, AC=b e AD=d. Stewart relaciona os cinco comprimentos conhecidos ao sexto: b²m+c²n=a(d²+mn). Os pesos m e n multiplicam os quadrados dos lados opostos a esses segmentos. Desenhar e nomear evita trocar os pares.
Por que funciona: seja θ=∠ADB. Pela lei dos cossenos, c²=d²+m²−2dm cos θ. Como ∠ADC=180°−θ, b²=d²+n²+2dn cos θ. Multiplique a primeira por n, a segunda por m e some: os termos com cosseno se cancelam, dando (m+n)d²+mn(m+n). Assim d²=(b²m+c²n)/(m+n)−mn. As medidas devem formar um triângulo e D deve pertencer ao segmento BC nesta versão.
Exemplo guiado: AB=AC=5 e BC=6, com D ponto médio, dão m=n=3. Então d²=(25×3+25×3)/6−9=16, d=4. A simetria torna essa mediana também altura, e Pitágoras confirma 3²+4²=5². Em triângulo sem simetria, não use Pitágoras antes de provar o ângulo reto.
Como pensar: marque os dados na figura, identifique a ceviana e calcule o segmento restante da base. Use Stewart se conhece lados e divisão da base; use Tales quando houver paralelas e semelhança; use a bissetriz somente se o ângulo foi dividido igualmente. Dica: para uma mediana, m=n=a/2 reduz Stewart a d²=(b²+c²)/2−a²/4, uma boa conferência.
- Semelhantes
- Figuras com ângulos correspondentes iguais e medidas lineares proporcionais.
- Congruentes
- Figuras que coincidem por deslocamento, rotação ou reflexão.
- Apótema
- Distância do centro ao lado de um polígono regular.
Fórmulas explicadas
A área varia com o quadrado da escala linear.
Quando usar: Figuras semelhantes com k>0.
Cuidado: Perímetros variam com k, não k².
- k
- razão entre lados correspondentes
- A₁,A₂
- áreas
Relaciona tangente e secante originadas no mesmo ponto externo.
Quando usar: P externo e A entre P e B.
Cuidado: Não trocar PB pelo trecho AB.
- PT
- segmento tangente
- PA
- parte externa da secante
- PB
- secante inteira
Exemplo resolvido passo a passo
Ampliar sem deformar
Enunciado
Um triângulo de área 12 cm² tem todos os lados multiplicados por 3. Qual a nova área?
- Dados
-
- área 12 cm²
- k=3
- Fórmula
- A₂=k²A₁
- Substituição
- 9×12
Resolução
- A escala atua nas duas dimensões da área.
- Multiplique por 3², não por 3.
Resultado: 108 cm².
Interpretação: O perímetro triplicaria, mas a área fica nove vezes maior.
Exercícios com solução
Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.
Exercício 1
De P externo, uma secante tem PA=4 cm e PB=9 cm. Qual o comprimento da tangente PT?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- PT²=4×9=36.
- Como comprimento é positivo, PT=6.
Resposta: 6 cm.
Exercício 2
Uma altura à hipotenusa separa projeções de 4 cm e 9 cm. Encontre a altura.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- h²=mn=36.
- h=6 cm; a hipotenusa mede 13 cm.
Resposta: 6 cm.
Exercício 3 · Exercício independente
Uma transversal corta duas paralelas. Um ângulo interno mede 68°. Quanto medem seu alterno interno e seu colateral interno?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Alterno interno: 68°. Colateral interno: 180°−68°=112°.
- O ângulo agudo e o obtuso somam 180°. Sem paralelismo informado, essas conclusões não seriam garantidas.
Resposta: 68° e 112°.
Para conferir seu raciocínio: A transversal gera dois grupos suplementares, não um único valor em todos os cantos.
Exercício 4 · Checagem conceitual
Lados 5,5,6 cm formam triângulo? Classifique-o pelos lados. Dois triângulos com esses lados são congruentes? Nesse caso, o segmento do vértice oposto à base 6 até seu ponto médio é mediana, altura ou bissetriz?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- 6<5+5, então existe; dois lados iguais o tornam isósceles. Pelo critério LLL, os dois triângulos são congruentes.
- Ao dividir a base ao meio, surgem dois triângulos congruentes por LLL. Seus ângulos junto ao pé são iguais e somam 180°, portanto retos; os ângulos do vértice também são iguais.
- O segmento é simultaneamente mediana, altura e bissetriz. Em triângulo escaleno isso não vale. O encontro de medianas é baricentro, de alturas ortocentro e de bissetrizes incentro; eles não coincidem em geral.
Resposta: Existe; isósceles; congruentes por LLL; o segmento reúne as três funções.
Para conferir seu raciocínio: Coincidência de segmentos em um isósceles não permite igualar os pontos notáveis de qualquer triângulo.
Exercício 5 · Exercício independente
Em ABC, AB=6 cm, AC=9 cm e BC=10 cm. A bissetriz de A encontra BC em D. Determine BD e DC. Que fração da área de ABC corresponde à área de ABD?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- BD/DC=6/9=2/3. Divida BC em cinco partes de 2 cm: BD=4 cm e DC=6 cm.
- A área de ABD é 4/10=2/5 da área total, pois a altura é comum.
- 4+6=10 e 4/6=6/9 conferem os segmentos. A bissetriz não dividiu a base em metades.
Resposta: BD=4 cm; DC=6 cm; fração da área 2/5.
Para conferir seu raciocínio: A bissetriz divide o ângulo ao meio; só divide o lado em metades quando os lados adjacentes são iguais.
Exercício 6 · Aplicação integrada
Compare: trapézio de bases 10 e 6 cm, altura 3 cm; losango de diagonais 8 e 6 cm; paralelogramo de base 8 cm, altura 3 cm. Quais as áreas e a base média do trapézio?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Trapézio: base média (10+6)/2=8 cm; área 8×3=24 cm².
- Losango: 8×6/2=24 cm². Paralelogramo: 8×3=24 cm².
- Áreas iguais não tornam figuras congruentes. Retângulos e quadrados são casos de paralelogramo; no quadrado de lado l a fórmula bh resulta em l².
Resposta: Todas têm 24 cm²; base média 8 cm.
Para conferir seu raciocínio: Um lado inclinado não pode substituir a altura perpendicular só porque toca a base.
Exercício 7 · Exercício independente
Duas cordas se cruzam em P. Numa delas os segmentos medem 3 e 8 cm; na outra, 4 e x cm. Ache x. Um ângulo inscrito intercepta arco de 100°: quanto mede?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Potência interna: 3×8=4x, logo x=6 cm.
- Ângulo inscrito: 100°/2=50°. O central sobre esse arco mediria 100°.
- Se as retas fossem tangentes saindo de um mesmo ponto externo, os segmentos de tangência seriam iguais; a tangente é perpendicular ao raio no contato.
Resposta: x=6 cm; ângulo inscrito 50°.
Para conferir seu raciocínio: Usar 100° para o inscrito confunde seu vértice na circunferência com o vértice no centro.
Exercício 8 · Prática independente
Num triângulo, AB=6, AC=4 e BC=5 cm. A bissetriz externa em A encontra a reta BC em D além de C. Determine CD e BD. Qual seria o caso se AB=AC?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- (5+CD)/CD=6/4, logo 20+4CD=6CD e CD=10.
- BD=15 cm.
- Com lados iguais, a bissetriz externa é paralela a BC; não há D finito.
Resposta: CD=10 cm; BD=15 cm; no isósceles, paralelismo.
Exercício 9 · Prática independente
Determine os raios inscrito e circunscrito de um triângulo retângulo com lados 6,8,10 cm. Para um hexágono regular de lado 4 cm, determine R e o apótema.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Área=24, semiperímetro=12: r=2; R=10/2=5.
- O hexágono forma seis triângulos equiláteros: R=4; apótema=√(16−4)=2√3.
Resposta: Triângulo: r=2 e R=5 cm; hexágono: R=4 e apótema 2√3 cm.
Exercício 10 · Prática guiada
A=(0,0), B=(6,0), C=(6,8). Classifique A–B–C e A–B–C–A e calcule seus comprimentos e a distância AC.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- AB=6 e BC=8: o percurso aberto simples mede 14.
- AC=√(36+64)=10.
- O percurso fechado simples é um triângulo de perímetro 24.
Resposta: Aberta simples: 14; fechada simples: 24; distância AC=10.
Exercício 11 · Prática independente
Um triângulo tem lados AB=7 cm, AC=9 cm e BC=8 cm. Calcule o quadrado da mediana AD.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Stewart: 81×4+49×4=8(d²+16).
- 520/8−16=49.
- d=7 cm; igualdade com AB não implica ângulo reto.
Resposta: AD²=49 cm²; AD=7 cm.
Exercício 12 · Prática de nível de prova
No triângulo ABC, AB=13 cm, AC=15 cm e BC=14 cm. D pertence a BC e BD:DC=3:4. Calcule AD.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- BD=6 e DC=8, pois 14/(3+4)=2.
- 15²×6+13²×8=14(d²+48).
- 2702/14−48=145; AD=√145 cm. O valor fica entre 12 e 13 cm, sem supor perpendicularidade.
Resposta: AD=√145 cm.
Você aprendeu
- Uma relação geométrica precisa de hipótese, não apenas de desenho.
- Escalas de comprimento e área são diferentes.
- Tangência e semelhança conectam medidas desconhecidas.
Fontes e atualização
Conteúdo revisado em 16/10/2026.
- Triângulos e medidas geométricas — OpenStax — Rice University. Triângulos e medidas geométricas