Física · Intermediário

Temperatura, calor e mudanças de estado

Separe temperatura de energia transferida e resolva aquecimento, dilatação e mudanças de fase, escolhendo o modelo apropriado para cada etapa.

3 objetivos 1 exemplo resolvido 8 exercícios com resposta Pré-requisitos: 3 aulas para revisar
Ao final da aula

Objetivos de aprendizagem

  • Converter escalas e distinguir variação de temperatura absoluta.
  • Aplicar calor sensível e latente em etapas.
  • Interpretar transferência e dilatação térmica.

Está difícil? Revise antes: Grandezas, unidades e medidas, Trabalho e Transformações de Energia, Densidade em Física

Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.

Fundamento

Entenda o conceito

Temperatura caracteriza o estado térmico e permite prever o sentido da troca espontânea de energia. Calor é energia transferida por diferença de temperatura, não algo armazenado dentro de um corpo. Uma piscina e uma xícara podem ter a mesma temperatura e quantidades muito diferentes de energia interna. Ao contato, a energia flui espontaneamente do mais quente para o mais frio até o equilíbrio térmico.

A lei zero permite usar termômetros: se A está em equilíbrio térmico com C e B também, A e B estão em equilíbrio entre si. Em escalas usuais, K=°C+273,15 e °F=(9/5)°C+32. Uma variação de 10 °C corresponde a 10 K, sem somar 273,15; em Fahrenheit, corresponde a 18 °F. Kelvin não usa símbolo de grau.

Capacidade calorífica C mede a energia necessária por variação de temperatura de um corpo: C=Q/ΔT. Calor específico c é por unidade de massa: C=mc. Sem mudança de fase e com c aproximadamente constante, Q=mcΔT. Q positivo indica energia recebida pelo sistema; se a temperatura cai, ΔT e Q são negativos nessa convenção.

Durante fusão ou vaporização de substância pura a pressão fixa, pode entrar energia sem mudar a temperatura. Essa energia altera a organização das partículas: Q=mL, em que L é calor latente da transformação. Uma curva de aquecimento tem trechos inclinados, para Q=mcΔT, e patamares, para Q=mL. Misturas e pressão variável não precisam apresentar patamares na mesma forma.

Em calorímetro ideal isolado, a soma das energias trocadas pelos corpos é zero. Para misturar massas iguais da mesma substância, sem fase mudando e com c constante, a temperatura final é a média das iniciais. Com massas ou calores específicos diferentes, faça o balanço mc(Tf−Ti) de cada corpo, incluindo o recipiente se sua capacidade não for desprezível.

Condução transfere energia através da interação entre partículas sem transporte macroscópico de material; convecção envolve movimento de fluido; radiação usa ondas eletromagnéticas e dispensa meio material. Num fluxo estacionário através de placa uniforme, a taxa por condução é kAΔT/L, com k condutividade térmica. Essa taxa é potência em watts, não energia em joules.

Materiais normalmente se dilatam ao aquecer. Para pequenas variações, ΔL=αL₀ΔT; em sólidos isotrópicos, coeficientes superficial e volumétrico são aproximadamente 2α e 3α. Um furo numa placa dilata como se fosse preenchido pelo mesmo material. Para líquidos em recipiente, a dilatação aparente é a real do líquido menos a do recipiente. A água apresenta comportamento anômalo entre aproximadamente 0 °C e 4 °C: ao aquecer nesse intervalo, seu volume diminui.

Para comparar dilatação real e aparente, comece pelos volumes iniciais. Se um frasco cheio de 1 litro tem coeficiente volumétrico γf e o líquido tem γl, ao aquecer ΔT, o líquido aumenta V₀γlΔT e a capacidade aumenta V₀γfΔT. O excesso ideal é V₀(γl−γf)ΔT. Para o frasco isotrópico, γf≈3α; área superficial usa β≈2α. A aproximação ignora termos quadráticos em αΔT e pressupõe coeficientes constantes no intervalo.

Um diagrama de fases relaciona pressão p e temperatura T, não calor recebido e temperatura. Cada região indica fase estável; linhas indicam coexistência de duas fases. Três linhas encontram-se no ponto triplo. A curva líquido-vapor termina no ponto crítico: acima de sua temperatura não há transição líquido-vapor descontínua ao comprimir isotermicamente. Abaixo da pressão do ponto triplo de uma substância típica, aquecer pode levar diretamente de sólido a vapor, por sublimação. Não confunda essa curva p×T com um patamar numa curva de aquecimento a pressão fixa.

A posição das fronteiras depende da substância. A linha de fusão da água tem inclinação negativa perto das condições usuais, ao contrário da maioria das substâncias: pressão maior pode favorecer o líquido. Num trajeto a pressão constante, desenhe uma horizontal no diagrama p×T e leia quais fronteiras ela cruza. A lei zero justifica equilíbrio; o diagrama identifica fases em equilíbrio, não a velocidade com que a transformação acontece.

Para escolher o mecanismo de transferência, observe o que transporta energia. Uma barra metálica com uma ponta quente transmite por condução; circulação macroscópica de água aquecida é convecção; energia solar atravessando o vácuo é radiação. Os mecanismos podem coexistir. A intensidade de emissão térmica depende da temperatura e das propriedades da superfície; calor não é uma substância que sobe, embora fluido aquecido possa subir por diferenças de densidade sob gravidade.

Calor sensível
Energia transferida associada a variação de temperatura, sem mudança de fase.
Calor latente
Energia por massa associada à mudança de estado.
Equilíbrio térmico
Estado sem troca líquida de calor entre corpos em contato.
Diagrama qualitativo de pressão e temperatura de substância típica: regiões sólido, líquido e vapor; ponto triplo e término crítico da fronteira líquido-vapor. Não representa a linha de fusão da água.
Leia as regiões antes de seguir o trajeto Diagrama qualitativo de pressão e temperatura de substância típica: regiões sólido, líquido e vapor; ponto triplo e término crítico da fronteira líquido-vapor. Não representa a linha de fusão da água.
Relações e variáveis

Fórmulas explicadas

Q=mcΔT

Calcula calor numa etapa de aquecimento ou resfriamento.

Quando usar: Sem mudança de fase; c aproximadamente constante.

Cuidado: Durante mudança de fase, use Q=mL e separe as etapas.

m
massa Unidade: kg
c
calor específico Unidade: J/(kg·K)
ΔT
variação térmica Unidade: K ou °C
Do enunciado à interpretação

Exemplo resolvido passo a passo

Exemplo resolvido

Aquecimento sem mudança de fase

Enunciado

Aqueça 0,50 kg de água de 20 °C a 30 °C. Use c=4200 J/(kg·K). Qual o calor recebido?

Dados
  • m=0,50 kg
  • ΔT=10 K
Fórmula
Q=mcΔT
Substituição
0,50×4200×10

Resolução

  1. Use a variação 10, não a temperatura final 30.
  2. O produto dá 21000 J.

Resultado: 21 kJ.

Interpretação: Não houve mudança de fase nesta etapa.

Pratique · Tente antes de abrir a solução

Exercícios com solução

Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.

Exercício 1

Quanto calor funde 0,20 kg de gelo já na temperatura de fusão? Use L=334000 J/kg e pressão constante.

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Solução passo a passo

  1. Q=mL=0,20×334000.
  2. Q=66800 J.

Resposta: 66,8 kJ.

Exercício 2

Uma barra de 2 m tem α=0,000012 K⁻¹. Ao aquecer 50 K, quanto cresce?

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Solução passo a passo

  1. ΔL=0,000012×2×50=0,0012 m.
  2. Isso corresponde a 1,2 mm.

Resposta: 0,0012 m, ou 1,2 mm.

Exercício 3 · Exercício guiado

Misturam-se 0,2 kg de água a 80 °C e 0,3 kg a 20 °C num recipiente isolado de capacidade desprezível. Sem mudança de fase e com mesmo c constante, qual a temperatura final?

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Solução passo a passo

  1. Pergunta: temperatura de equilíbrio, não calor total armazenado. Dados: massas e temperaturas; o mesmo c cancelará.
  2. 0,2c(T−80)+0,3c(T−20)=0. Divida por c: 0,5T−22=0, T=44 °C.
  3. 0,2c×36=0,3c×24 confirma o balanço. 44 está entre 20 e 80 e mais perto da temperatura da massa maior.

Resposta: 44 °C.

Para conferir seu raciocínio: A média simples 50 °C pressupõe capacidades caloríficas iguais, o que não ocorre com massas diferentes da mesma água.

Exercício 4 · Exercício independente

Uma placa tem k=0,5 W/(m·K), área 2 m² e espessura 0,1 m; suas faces estão a 30 °C e 10 °C em regime estacionário. Qual a taxa de transferência e energia em 60 s? Escreva 30 °C em kelvin.

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. Potência por condução kAΔT/L=0,5×2×20/0,1=200 W, do quente para o frio.
  2. Em 60 s: Q=200×60=12.000 J. 30 °C=303,15 K.
  3. Não some 273,15 à diferença de temperaturas. Condução não envolve escoamento macroscópico; convecção envolve fluido e radiação pode ocorrer no vácuo.

Resposta: 200 W; 12.000 J; 303,15 K.

Para conferir seu raciocínio: Somar 273,15 a ΔT transforma uma variação numa temperatura absoluta inexistente.

Exercício 5 · Nível de prova — autoral

A pressão constante, 0,1 kg de gelo a −10 °C recebe 10.000 J em recipiente ideal isolado após o aquecimento. Use cgelo=2.000 J/(kg·K) e Lfusão=320.000 J/kg. Qual estado final? A) água a 10 °C B) mistura a 0 °C com 25 g fundidos C) gelo a 0 °C sem fusão D) mistura a 0 °C com 31,25 g fundidos.

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. A capacidade do gelo é mc=200 J/K. Até 0 °C: Q₁=200×10=2.000 J.
  2. Restam 8.000 J para fusão. Fundir tudo exigiria 0,1×320.000=32.000 J: a fusão será parcial.
  3. Massa fundida=8.000/320.000=0,025 kg=25 g; sobram 75 g de gelo a 0 °C. D gasta toda a energia em fusão e ignora o aquecimento; A ignora a mudança de fase; C ignora a energia restante.

Resposta: B) 25 g de água e 75 g de gelo em equilíbrio a 0 °C.

Para conferir seu raciocínio: A energia de aquecimento não pode ser usada de novo como energia de fusão.

Exercício 6 · Aplicação em nível de prova

Um frasco está cheio com 500 mL de líquido a certa temperatura. α do material é 10⁻⁵ K⁻¹ e γ do líquido é 6×10⁻⁴ K⁻¹. Ao aquecer 40 K, quanto transborda idealmente? Qual aumento percentual da área de uma placa do mesmo material?

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Solução passo a passo

  1. O líquido aumenta 500×0,0006×40=12 mL.
  2. A capacidade aumenta 500×0,00003×40=0,6 mL; excesso 11,4 mL.
  3. ΔA/A≈2×10⁻⁵×40=0,0008=0,08%.

Resposta: 11,4 mL; aumento de área 0,08%.

Exercício 7 · Checagem conceitual

Uma substância típica tem ponto triplo a 200 K e 5 kPa. Em equilíbrio, um sólido é aquecido a pressão constante 2 kPa até virar gás. Há passagem obrigatória por líquido? O ponto crítico é encontro das três fases?

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Solução passo a passo

  1. 2 kPa está abaixo de 5 kPa: o trajeto pode cruzar a linha sólido-vapor, sem região líquida estável.
  2. A passagem é sublimação.
  3. Ponto crítico termina a linha líquido-vapor; encontro de três fases é o ponto triplo.

Resposta: Não; sublimação. Ponto crítico não é ponto triplo.

Exercício 8 · Checagem conceitual

Identifique o mecanismo predominante: calor ao longo de uma colher metálica; circulação de água numa panela; energia da estrela atravessando o espaço vazio. Uma parede isolante elimina necessariamente todos os três?

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Solução passo a passo

  1. Colher: condução; circulação: convecção; vácuo: radiação.
  2. Uma barreira pode reduzir um mecanismo sem eliminar os demais; isolamento depende do conjunto.
  3. Não confunda temperatura do corpo com energia transferida como calor.

Resposta: Condução, convecção, radiação; não necessariamente.

Resumo da aula

Você aprendeu

  • Temperatura e calor medem coisas diferentes.
  • Cada etapa térmica pede seu modelo.
  • Balanço de energia e hipóteses de isolamento controlam o resultado.
Revisão editorial

Fontes e atualização

Conteúdo revisado em 12/10/2026.