Física · Intermediário

Gases ideais e leis da termodinâmica

Relacione pressão, volume e temperatura absoluta e acompanhe calor, trabalho e energia interna em transformações, ciclos e máquinas térmicas.

3 objetivos 1 exemplo resolvido 4 exercícios com resposta Pré-requisitos: 3 aulas para revisar
Ao final da aula

Objetivos de aprendizagem

  • Aplicar Clapeyron com unidades compatíveis.
  • Usar a primeira lei com convenção de sinais.
  • Comparar rendimento real ao limite de Carnot.

Está difícil? Revise antes: Temperatura, calor e mudanças de estado, Pressão, Força e Área, Funções, conjuntos e gráficos

Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.

Fundamento

Entenda o conceito

Um gás exerce pressão pelas interações de suas partículas com as paredes. O modelo ideal despreza o volume próprio das partículas e interações fora das colisões. Funciona melhor em gases diluídos, longe da condensação. Seus estados satisfazem pV=nRT: n é quantidade em mol e R a constante dos gases. Pressão deve ser absoluta e temperatura, kelvin.

Com quantidade de gás fixa, pV/T é constante. Transformação isotérmica mantém T, logo pV constante; isobárica mantém p, logo V/T constante; isovolumétrica mantém V, logo p/T constante. Adiabática significa sem troca de calor, e não sem variação de temperatura. O caminho da transformação importa, mesmo quando os estados inicial e final coincidem.

O gás realiza trabalho quando empurra uma fronteira. A pressão constante, W=pΔV: expansão dá W positivo e compressão negativo. Num gráfico p×V, o trabalho quase estático é a área orientada sob o caminho. Num ciclo, a área interna é o trabalho líquido: sentido horário usual significa trabalho líquido feito pelo gás.

Adotaremos Q positivo para calor recebido e W positivo para trabalho feito pelo gás. A primeira lei é ΔU=Q−W. Se entram 500 J e o gás realiza 200 J de trabalho, sua energia interna aumenta 300 J. Em gás ideal, U depende da temperatura; para gás ideal monoatômico, U=3nRT/2. A expressão não descreve todo material nem todo gás em qualquer regime.

Na isotérmica de gás ideal, ΔU=0 e Q=W. Na isovolumétrica, W=0 e ΔU=Q. Na adiabática, Q=0 e ΔU=−W: ao expandir realizando trabalho, o gás esfria. Em um ciclo completo ΔU=0, mas Q e W líquidos podem ser diferentes de zero e iguais entre si.

Uma máquina térmica recebe calor Qq de uma fonte quente, rejeita módulo Qf para uma fonte fria e produz W=Qq−Qf por ciclo. Seu rendimento é η=W/Qq. A segunda lei impede converter todo o calor de uma única fonte em trabalho num ciclo. Um refrigerador usa trabalho externo para transferir calor da região fria para a quente; não viola a segunda lei porque há essa contribuição externa.

Carnot é um ciclo reversível ideal, com duas isotérmicas e duas adiabáticas. Entre reservatórios de temperaturas absolutas Tq>Tf, seu rendimento ηC=1−Tf/Tq é o limite superior para máquinas entre essas fontes. Usar Celsius na razão produz erro. Máquinas reais têm irreversibilidades e rendimento menor. A terceira lei afirma que a entropia de um cristal perfeito tende a zero ao se aproximar do zero absoluto; o zero absoluto não é alcançado por uma sequência finita de processos físicos usuais.

Para comparar processos, anote primeiro a grandeza constante: isotérmica fixa T, isovolumétrica fixa V, adiabática fixa Q=0. “Isolado termicamente” não impede trabalho por uma parede móvel. Um gás ideal que expande adiabaticamente e faz trabalho perde energia interna e esfria; na expansão isotérmica, precisa receber calor para manter U constante. A terceira lei trata o limite da entropia de um cristal perfeito quando T tende a zero e a inacessibilidade do zero absoluto por processos finitos, não uma proibição de resfriar materiais.

Pressão absoluta
Pressão medida em relação ao vácuo, e não em relação à atmosfera.
Energia interna
Energia associada ao estado microscópico do sistema.
Ciclo
Processo que devolve o sistema ao estado inicial.
Relações e variáveis

Fórmulas explicadas

pV=nRT

Relaciona variáveis de estado do gás ideal.

Quando usar: Modelo de gás ideal e unidades compatíveis.

Cuidado: Não use pressão manométrica ou Celsius diretamente.

p
pressão absoluta Unidade: Pa
V
volume Unidade: m³
n
quantidade Unidade: mol
T
temperatura Unidade: K
R
constante Unidade: 8,314 J/(mol·K)
ΔU=Q−W

Expressa conservação da energia.

Quando usar: Convenção de sinais declarada nesta aula.

Cuidado: Outra convenção para trabalho muda o sinal escrito, não a física.

Q
calor recebido Unidade: J
W
trabalho feito pelo gás Unidade: J
ΔU
variação da energia interna Unidade: J
Do enunciado à interpretação

Exemplo resolvido passo a passo

Exemplo resolvido

Energia que fica no gás

Enunciado

Um gás recebe 800 J e realiza 300 J de trabalho. Qual a variação da energia interna?

Dados
  • Q=+800 J
  • W=+300 J
Fórmula
ΔU=Q−W
Substituição
800−300

Resolução

  1. Parte da energia recebida sai como trabalho.
  2. O restante aumenta a energia interna.

Resultado: +500 J.

Interpretação: O sinal positivo indica aumento de energia interna.

Pratique · Tente antes de abrir a solução

Exercícios com solução

Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.

Exercício 1

Uma máquina de Carnot opera entre 600 K e 300 K. Se recebe 1000 J por ciclo, quanto trabalho pode produzir?

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. η=1−300/600=0,5.
  2. W=0,5×1000=500 J; os outros 500 J são rejeitados.

Resposta: Rendimento 50%; trabalho 500 J.

Exercício 2 · Exercício independente

Um gás ideal de quantidade fixa ocupa 2 L a 300 K. É aquecido a 450 K com pressão absoluta constante 100.000 Pa. Determine volume final e trabalho realizado pelo gás.

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. V₂=2×450/300=3 L. ΔV=1 L=0,001 m³.
  2. W=pΔV=100.000×0,001=100 J, positivo na expansão.
  3. O gás aumentou a temperatura, então sua energia interna aumentou. A primeira lei exige Q>100 J neste processo.

Resposta: 3 L e 100 J.

Para conferir seu raciocínio: Usar 1 L como 1 m³ multiplica incorretamente o trabalho por mil.

Exercício 3 · Aplicação integrada

Num ciclo quase estático, um gás expande de 1 L a 3 L sob 300 kPa, esfria a volume constante até 100 kPa, comprime a 1 L sob 100 kPa e retorna ao início a volume constante. Qual trabalho líquido e variação total de energia interna?

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. Expansão: 300.000×0,002=600 J. Compressão: 100.000×(−0,002)=−200 J. Trechos verticais não realizam trabalho.
  2. Trabalho líquido 400 J: área do retângulo, percurso horário. Ao voltar ao mesmo estado, ΔU=0 e Qlíquido=Wlíquido=400 J.
  3. Qlíquido não é o calor recebido da fonte quente: há rejeição. Não podemos achar rendimento sem o calor recebido; Carnot daria um limite apenas conhecendo temperaturas absolutas dos reservatórios.

Resposta: Wlíquido=400 J, ΔU=0, Qlíquido=400 J; rendimento não determinado pelos dados fornecidos.

Para conferir seu raciocínio: Usar o calor líquido como calor recebido daria falsos 100% de rendimento.

Exercício 4 · Prática independente

Um gás ideal realiza 120 J de trabalho numa expansão isotérmica. Outro recebe 0 J de calor e realiza 80 J numa expansão adiabática. Determine Q e ΔU no primeiro, ΔU no segundo e o sentido da variação de T. A terceira lei afirma que nunca se pode resfriar um corpo?

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. Isotérmico ideal: ΔU=0, portanto Q=120 J.
  2. Adiabático: ΔU=−80 J; gás ideal perde temperatura.
  3. A terceira lei não proíbe resfriar; descreve o limite em T→0 e a inacessibilidade do zero absoluto por processos finitos.

Resposta: Q₁=120 J; ΔU₁=0; ΔU₂=−80 J, resfriamento; não.

Resumo da aula

Você aprendeu

  • Gases usam pressão absoluta e kelvin.
  • A primeira lei contabiliza energia.
  • A segunda lei limita a conversão cíclica de calor em trabalho.
Prática guiada

Confira ou avance com as calculadoras

Resolva primeiro no papel. Depois, use a ferramenta para conferir a relação trabalhada ou explorar a conversão indicada.

Revisão editorial

Fontes e atualização

Conteúdo revisado em 12/10/2026.