Movimento circular, projéteis e gravitação
Combine componentes do movimento, compreenda aceleração centrípeta e conecte a gravitação universal às órbitas, ao peso e às leis de Kepler.
Objetivos de aprendizagem
- Separar movimentos horizontal e vertical.
- Relacionar período, velocidade e força centrípeta.
- Interpretar gravidade e órbitas com distância ao centro.
Está difícil? Revise antes: Movimento e Aceleração Constante, Equilíbrio, atrito e torque, Trabalho e Transformações de Energia
Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.
Entenda o conceito
Um projétil sem resistência do ar tem movimento horizontal uniforme e movimento vertical uniformemente acelerado, perto da superfície terrestre. Escolhendo y para cima: x=x₀+v₀ cosθ·t e y=y₀+v₀ senθ·t−gt²/2. As componentes compartilham o mesmo tempo. No topo, apenas a velocidade vertical zera; a horizontal pode continuar diferente de zero.
Se lançamento e chegada estão na mesma altura, o tempo total é 2v₀ senθ/g e o alcance é v₀²sen2θ/g. Essas expressões não servem diretamente para chegada em outra altura. Para um lançamento horizontal de uma mesa, use a altura para obter o tempo de queda e depois a velocidade horizontal para obter o alcance.
No movimento circular uniforme, o módulo da velocidade é constante, mas sua direção muda. Há aceleração voltada ao centro: ac=v²/r=ω²r. Uma volta tem comprimento 2πr, portanto v=2πr/T e ω=2π/T=2πf. Período T mede segundos por volta e frequência f, voltas por segundo. Velocidade é tangente à trajetória, não voltada ao centro.
Força centrípeta não é uma nova interação a somar ao diagrama: é o nome da componente resultante radial. Ela pode ser fornecida por tração, atrito, normal, gravidade ou uma combinação. No referencial inercial, ΣFr=mv²/r. Num referencial que gira, aparecem forças de inércia, como a centrífuga; não misture equações de referenciais diferentes.
A gravitação universal atrai duas massas: F=GMm/r², onde r é a distância entre seus centros para corpos esféricos com simetria adequada. A constante G não é a aceleração g. Em torno de um planeta esférico, g=GM/r² e peso=mg. A uma altura h, r=R+h; dobrar a distância ao centro reduz g a um quarto.
Satélites em órbita estão em queda contínua; a velocidade lateral evita que atinjam a superfície. Em órbita circular ideal, iguale GMm/r² a mv²/r para obter v=√(GM/r). A massa do satélite cancela. Astronautas não deixam de sofrer gravidade; a sensação de ausência de peso corresponde à queda livre conjunta da nave e seus ocupantes.
As leis de Kepler descrevem órbitas no modelo de dois corpos: a trajetória é elíptica com o corpo central em um foco; a linha até ele varre áreas iguais em tempos iguais; T² é proporcional a a³, com a semieixo maior. Para corpos orbitando a mesma massa central dominante, T₂/T₁=(a₂/a₁)^(3/2). Áreas iguais significam maior velocidade quando o corpo está mais próximo do foco, não velocidade constante na elipse.
Um movimento circular pode variar a rapidez. A aceleração tem então duas componentes perpendiculares: radial ac=v²/r, que muda a direção, e tangencial at=Δv/Δt quando a rapidez varia uniformemente. Com aceleração angular constante α, ω=ω₀+αt e θ=θ₀+ω₀t+αt²/2. O radiano é a unidade angular destas relações; at=αr e v=ωr. O módulo da aceleração total é √(ac²+at²), não ac+at. Mesmo se a rapidez não muda, ac pode existir; velocidade vetorial constante exigiria também direção constante.
- Centrípeta
- Voltada para o centro da curva.
- Referencial inercial
- Referencial em que um corpo sem força resultante mantém velocidade vetorial constante.
- Órbita
- Trajetória sob ação gravitacional, descrita aqui por um modelo ideal.
Fórmulas explicadas
Quantifica a mudança de direção no movimento circular.
Quando usar: r>0; direção da aceleração centrípeta voltada ao centro.
Cuidado: Rapidez constante não significa aceleração zero.
- v
- rapidez tangencial Unidade: m/s
- r
- raio Unidade: m
Descreve gravidade externa de um planeta esférico.
Quando usar: Fora do planeta esférico, desprezando rotação e outros corpos.
Cuidado: A distância é ao centro, não apenas a altura.
- G
- constante gravitacional
- M
- massa do planeta Unidade: kg
- R,h
- raio e altura Unidade: m
Exemplo resolvido passo a passo
Rapidez constante numa curva
Enunciado
Um corpo de 2 kg percorre um círculo de raio 4 m a 6 m/s. Qual a aceleração e a resultante radial?
- Dados
-
- m=2 kg
- r=4 m
- v=6 m/s
- Fórmula
- ac=v²/r; Fr=mac
- Substituição
- ac=36/4; Fr=2×9
Resolução
- A aceleração vale 9 m/s² para o centro.
- A força resultante radial vale 18 N.
Resultado: 9 m/s² e 18 N.
Interpretação: A rapidez não muda, mas a direção muda continuamente.
Exercícios com solução
Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.
Exercício 1
Dois satélites orbitam a mesma massa central. Se o semieixo maior do segundo é 4 vezes o do primeiro, qual a razão dos períodos?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- (T₂/T₁)²=4³=64.
- Períodos positivos: T₂/T₁=8.
Resposta: 8.
Exercício 2
Um objeto sai horizontalmente a 3 m/s de altura 20 m. Use g=10 m/s² e despreze o ar. Qual o alcance?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- 20=10t²/2, então t=2 s.
- x=3×2=6 m.
Resposta: 6 m.
Exercício 3 · Nível de prova — autoral
Um projétil sai do solo com vx=12 m/s e vy=16 m/s e retorna ao mesmo nível. Sem ar, g=10 m/s². Qual o alcance? A) 19,2 m B) 38,4 m C) 64 m D) 51,2 m.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Na altura inicial: 0=16t−5t². Além de t=0, o instante de retorno é 3,2 s.
- Alcance: 12×3,2=38,4 m. A altura máxima é 16²/(2×10)=12,8 m; no topo vx continua 12 m/s.
- A usa só o tempo de subida; C usa o módulo inicial 20 m/s como componente horizontal; D usa vy no lugar de vx.
Resposta: B) 38,4 m; tempo 3,2 s e altura máxima 12,8 m.
Para conferir seu raciocínio: As duas direções compartilham o tempo, mas têm velocidades e acelerações diferentes.
Exercício 4 · Exercício independente
Um corpo de 2 kg faz MCU a 4 m/s num círculo de raio 2 m. Calcule a aceleração e a resultante radial. Se o fio que o prende ao centro romper, qual a direção inicial do movimento no referencial inercial?
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- ac=v²/r=16/2=8 m/s²; resultante radial 2×8=16 N, voltada ao centro.
- O fio fornece a força radial; não se acrescenta outra força chamada centrípeta. Após romper, sem outras forças no plano, o corpo segue pela tangente, não pelo raio.
- No referencial que gira com o corpo seria necessário considerar força de inércia; não misture esse diagrama com o inercial.
Resposta: 8 m/s²; 16 N; direção tangente após o rompimento.
Para conferir seu raciocínio: Centrípeta descreve a resultante radial das interações presentes, não uma interação adicional.
Exercício 5 · Exercício independente
Num planeta esférico de raio R, g na superfície vale 12 m/s². A que valor passa a uma altura R acima da superfície? Compare velocidades de órbitas circulares de raios R e 2R.
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Solução passo a passo
- A altitude R corresponde à distância 2R do centro. g₂=12/2²=3 m/s²; a massa do corpo e G não mudam.
- Como v=√(GM/r), v₂/v₁=1/√2. Pela terceira lei de Kepler, T₂/T₁=√8=2√2.
- A gravidade permanece não nula na órbita: a ausência de apoio não é ausência de atração.
Resposta: 3 m/s²; v₂/v₁=1/√2; T₂/T₁=2√2.
Para conferir seu raciocínio: Substituir a altitude R no lugar da distância 2R ao centro mantém indevidamente g inalterado.
Exercício 6 · Aplicação em nível de prova
Um ponto a 2 m do eixo parte do repouso com aceleração angular constante 1 rad/s². Após 3 s, calcule ω, v, deslocamento angular e acelerações tangencial, radial e total.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- ω=3 rad/s; v=6 m/s; Δθ=9/2 rad.
- at=αr=2 m/s²; ac=v²/r=18 m/s².
- As componentes são perpendiculares: a=√(4+324)=2√82 m/s².
Resposta: ω=3; v=6; Δθ=4,5 rad; at=2; ac=18; a=2√82 m/s².
Você aprendeu
- Componentes compartilham o mesmo tempo.
- Movimento circular exige resultante radial.
- Órbita é queda sob gravitação, não ausência de gravidade.
Fontes e atualização
Conteúdo revisado em 12/10/2026.
- Gravitação universal — OpenStax — Rice University. Gravitação universal
- Aceleração centrípeta — OpenStax — Rice University. Aceleração centrípeta