Equilíbrio, atrito e torque
Desenhe as forças de um corpo, equilibre componentes e momentos e entenda como atrito, normal e centro de massa determinam repouso e rotação.
Objetivos de aprendizagem
- Construir um diagrama de forças.
- Distinguir equilíbrio de translação e rotação.
- Aplicar atrito estático e torque com braços perpendiculares.
Está difícil? Revise antes: Força Resultante e Segunda Lei de Newton, Vetores, posição e deslocamento
Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.
Entenda o conceito
Um livro parado sobre a mesa sofre peso para baixo e normal para cima. A normal é a força de contato perpendicular à superfície; a tração acompanha uma corda ideal esticada. Desenhe apenas forças que atuam no corpo escolhido. O peso e a normal não formam um par de ação e reação: ambos atuam no livro, enquanto cada reação atua em outro corpo.
Equilíbrio de translação exige soma vetorial das forças zero. Em eixos cartesianos, ΣFₓ=0 e ΣFᵧ=0. Isso significa velocidade constante, que pode ser zero; para equilíbrio estático, o corpo está em repouso. Um ponto material despreza tamanho e rotação, mas uma barra extensa pode girar mesmo com força resultante zero.
Torque mede a tendência de uma força produzir rotação em torno de um eixo. Seu módulo é F vezes a distância perpendicular entre eixo e linha de ação: τ=Fd=Fr senθ. Uma força aplicada mais longe da dobradiça abre a porta com maior facilidade. Adote, por exemplo, torque anti-horário positivo e horário negativo. Equilíbrio de um corpo extenso exige também Στ=0.
O centro de massa resume a distribuição de massa: em uma linha, xCM=Σmᵢxᵢ/Σmᵢ. Massas iguais têm centro no ponto médio; uma massa maior desloca o centro para si. Em campo gravitacional uniforme, centro de gravidade e de massa coincidem. Para a barra uniforme, o peso pode ser representado no centro; numa barra não uniforme, isso não é garantido.
Atrito estático se ajusta à tendência de deslizamento até um máximo μₛN. Se uma caixa recebe empurrão horizontal de 3 N e o máximo é 5 N, o atrito vale 3 N enquanto ela permanece parada, não 5 N. Após começar a deslizar, o modelo de atrito cinético usa μcN em sentido oposto à velocidade relativa das superfícies. Os coeficientes são adimensionais.
Num plano inclinado de ângulo α, decomponha o peso: mg senα paralelo para baixo, mg cosα perpendicular ao plano. Sem outras forças perpendiculares e sem aceleração nessa direção, N=mg cosα. Em repouso, o atrito pode equilibrar mg senα se esse valor não superar μₛN. Normal só é igual a mg em situações particulares.
Uma mola ideal responde a deformações pequenas pela lei de Hooke, F=−kx: a força restauradora aponta contra a deformação a partir do equilíbrio. k mede rigidez em N/m. Um corpo pendurado e parado satisfaz kx=mg; a extensão x não é o comprimento total da mola. Fora do regime elástico linear, a relação deixa de representar o material.
- Torque
- Momento de uma força em relação a um eixo, em N·m.
- Braço
- Distância perpendicular do eixo à linha de ação.
- Equilíbrio estático
- Repouso com resultantes de força e torque nulas.
Fórmulas explicadas
Impõe equilíbrio de translação e rotação.
Quando usar: Referencial inercial; no plano, somar componentes e torques com sinais.
Cuidado: Soma de forças zero sozinha não impede rotação.
- F
- forças vetoriais Unidade: N
- τ
- torques orientados Unidade: N·m
Exemplo resolvido passo a passo
Uma gangorra ideal
Enunciado
Uma força de 80 N atua a 1,5 m do pivô. Que força oposta, a 2 m, equilibra uma barra sem peso?
- Dados
-
- braços perpendiculares 1,5 e 2 m
- Fórmula
- F₁d₁=F₂d₂
- Substituição
- F₂=80×1,5/2
Resolução
- O primeiro torque vale 120 N·m.
- O segundo deve ter mesmo módulo e sentido contrário.
Resultado: 60 N.
Interpretação: Braço maior precisa de força menor; a reação do pivô equilibra a translação.
Exercícios com solução
Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.
Exercício 1
Uma barra horizontal de peso desprezível recebe força vertical de 45 N para baixo a 4 m do pivô. Qual força vertical para baixo, no lado oposto a 3 m do pivô, equilibra os torques?
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Solução passo a passo
- 45×4=F×3.
- F=60 N; o apoio fornece a força que falta para equilibrar a translação.
Resposta: 60 N.
Exercício 2
Uma mola k=200 N/m sustenta massa de 2 kg em repouso. Adote g=10 m/s². Qual a extensão?
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Solução passo a passo
- Peso=20 N.
- x=20/200=0,10 m.
Resposta: 0,10 m, ou 10 cm.
Exercício 3 · Exercício guiado
Uma caixa de 5 kg sobre piso horizontal é puxada por fio com tensão 10 N a 30° acima da horizontal. μs=0,4 e g=10 m/s². Pode permanecer em repouso? Calcule normal e atrito efetivo.
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Solução passo a passo
- Dados: peso 50 N; Tx=5√3 N e Ty=5 N. Pergunta: se o atrito necessário cabe no limite estático.
- Equilíbrio vertical: N+5−50=0, N=45 N. Limite μsN=18 N.
- Como 5√3≈8,66<18, o repouso é possível e o atrito efetivo é 5√3 N, oposto à tração horizontal.
- Normal não é 50 N e atrito não é automaticamente o máximo 18 N.
Resposta: Sim; N=45 N e atrito 5√3 N, com limite 18 N.
Para conferir seu raciocínio: μsN é o máximo disponível; em repouso o atrito se ajusta à força que precisa equilibrar.
Exercício 4 · Exercício independente
Massas de 2 kg e 6 kg estão nas posições 0 m e 4 m de uma haste sem massa. Onde fica o centro de massa? Em campo g uniforme ele coincide com o centro de gravidade?
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Solução passo a passo
- xCM=(2×0+6×4)/(2+6)=3 m. Ele fica entre as massas e mais perto da de 6 kg.
- Em campo uniforme, os pesos são proporcionais às massas, então o centro de gravidade coincide. Para analisar torque a extensão não pode ser ignorada; para translação global pode-se usar o centro como ponto material.
Resposta: 3 m; sim, no campo uniforme.
Para conferir seu raciocínio: O ponto médio 2 m só serviria para massas iguais.
Exercício 5 · Exercício independente
Um bloco de 2 kg desliza para baixo em rampa a 30°, com atrito cinético μ=√3/6. Use g=10 m/s². Desenhe forças, escolha eixos e calcule normal, atrito e aceleração.
Ver solução passo a passo
Solução passo a passo
- Peso 20 N vertical; normal perpendicular para fora; atrito paralelo para cima. Peso paralelo 20 sen30°=10 N e perpendicular 20 cos30°=10√3 N.
- Sem aceleração perpendicular: N=10√3 N. Atrito=(√3/6)(10√3)=5 N.
- No eixo para baixo, 10−5=2a, logo a=2,5 m/s². O resultado é menor que g sen30°=5 m/s² sem atrito.
Resposta: N=10√3 N; atrito 5 N para cima; a=2,5 m/s² para baixo.
Para conferir seu raciocínio: A normal equilibra só a componente perpendicular do peso nesta rampa.
Você aprendeu
- Isole um corpo por vez.
- Equilíbrio extenso exige força e torque resultantes nulos.
- Atrito estático deve respeitar um limite, não ser igualado automaticamente a ele.
Fontes e atualização
Conteúdo revisado em 05/10/2026.
- Equilíbrio e forças — OpenStax — Rice University. Equilíbrio e forças
- Torque e equilíbrio de rotação — OpenStax — Rice University. Torque e equilíbrio de rotação