Física · Intermediário

Equilíbrio, atrito e torque

Desenhe as forças de um corpo, equilibre componentes e momentos e entenda como atrito, normal e centro de massa determinam repouso e rotação.

3 objetivos 1 exemplo resolvido 5 exercícios com resposta Pré-requisitos: 2 aulas para revisar
Ao final da aula

Objetivos de aprendizagem

  • Construir um diagrama de forças.
  • Distinguir equilíbrio de translação e rotação.
  • Aplicar atrito estático e torque com braços perpendiculares.

Está difícil? Revise antes: Força Resultante e Segunda Lei de Newton, Vetores, posição e deslocamento

Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.

Fundamento

Entenda o conceito

Um livro parado sobre a mesa sofre peso para baixo e normal para cima. A normal é a força de contato perpendicular à superfície; a tração acompanha uma corda ideal esticada. Desenhe apenas forças que atuam no corpo escolhido. O peso e a normal não formam um par de ação e reação: ambos atuam no livro, enquanto cada reação atua em outro corpo.

Equilíbrio de translação exige soma vetorial das forças zero. Em eixos cartesianos, ΣFₓ=0 e ΣFᵧ=0. Isso significa velocidade constante, que pode ser zero; para equilíbrio estático, o corpo está em repouso. Um ponto material despreza tamanho e rotação, mas uma barra extensa pode girar mesmo com força resultante zero.

Torque mede a tendência de uma força produzir rotação em torno de um eixo. Seu módulo é F vezes a distância perpendicular entre eixo e linha de ação: τ=Fd=Fr senθ. Uma força aplicada mais longe da dobradiça abre a porta com maior facilidade. Adote, por exemplo, torque anti-horário positivo e horário negativo. Equilíbrio de um corpo extenso exige também Στ=0.

O centro de massa resume a distribuição de massa: em uma linha, xCM=Σmᵢxᵢ/Σmᵢ. Massas iguais têm centro no ponto médio; uma massa maior desloca o centro para si. Em campo gravitacional uniforme, centro de gravidade e de massa coincidem. Para a barra uniforme, o peso pode ser representado no centro; numa barra não uniforme, isso não é garantido.

Atrito estático se ajusta à tendência de deslizamento até um máximo μₛN. Se uma caixa recebe empurrão horizontal de 3 N e o máximo é 5 N, o atrito vale 3 N enquanto ela permanece parada, não 5 N. Após começar a deslizar, o modelo de atrito cinético usa μcN em sentido oposto à velocidade relativa das superfícies. Os coeficientes são adimensionais.

Num plano inclinado de ângulo α, decomponha o peso: mg senα paralelo para baixo, mg cosα perpendicular ao plano. Sem outras forças perpendiculares e sem aceleração nessa direção, N=mg cosα. Em repouso, o atrito pode equilibrar mg senα se esse valor não superar μₛN. Normal só é igual a mg em situações particulares.

Uma mola ideal responde a deformações pequenas pela lei de Hooke, F=−kx: a força restauradora aponta contra a deformação a partir do equilíbrio. k mede rigidez em N/m. Um corpo pendurado e parado satisfaz kx=mg; a extensão x não é o comprimento total da mola. Fora do regime elástico linear, a relação deixa de representar o material.

Torque
Momento de uma força em relação a um eixo, em N·m.
Braço
Distância perpendicular do eixo à linha de ação.
Equilíbrio estático
Repouso com resultantes de força e torque nulas.
Caixa com peso para baixo, normal para cima, empurrão para a direita e atrito para a esquerda.
Diagrama de forças sobre uma caixa em repouso. Normal equilibra peso e atrito estático equilibra o empurrão horizontal, enquanto o limite estático não é ultrapassado.
Relações e variáveis

Fórmulas explicadas

ΣF=0; Στ=0

Impõe equilíbrio de translação e rotação.

Quando usar: Referencial inercial; no plano, somar componentes e torques com sinais.

Cuidado: Soma de forças zero sozinha não impede rotação.

F
forças vetoriais Unidade: N
τ
torques orientados Unidade: N·m
Do enunciado à interpretação

Exemplo resolvido passo a passo

Exemplo resolvido

Uma gangorra ideal

Enunciado

Uma força de 80 N atua a 1,5 m do pivô. Que força oposta, a 2 m, equilibra uma barra sem peso?

Dados
  • braços perpendiculares 1,5 e 2 m
Fórmula
F₁d₁=F₂d₂
Substituição
F₂=80×1,5/2

Resolução

  1. O primeiro torque vale 120 N·m.
  2. O segundo deve ter mesmo módulo e sentido contrário.

Resultado: 60 N.

Interpretação: Braço maior precisa de força menor; a reação do pivô equilibra a translação.

Pratique · Tente antes de abrir a solução

Exercícios com solução

Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.

Exercício 1

Uma barra horizontal de peso desprezível recebe força vertical de 45 N para baixo a 4 m do pivô. Qual força vertical para baixo, no lado oposto a 3 m do pivô, equilibra os torques?

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. 45×4=F×3.
  2. F=60 N; o apoio fornece a força que falta para equilibrar a translação.

Resposta: 60 N.

Exercício 2

Uma mola k=200 N/m sustenta massa de 2 kg em repouso. Adote g=10 m/s². Qual a extensão?

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. Peso=20 N.
  2. x=20/200=0,10 m.

Resposta: 0,10 m, ou 10 cm.

Exercício 3 · Exercício guiado

Uma caixa de 5 kg sobre piso horizontal é puxada por fio com tensão 10 N a 30° acima da horizontal. μs=0,4 e g=10 m/s². Pode permanecer em repouso? Calcule normal e atrito efetivo.

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. Dados: peso 50 N; Tx=5√3 N e Ty=5 N. Pergunta: se o atrito necessário cabe no limite estático.
  2. Equilíbrio vertical: N+5−50=0, N=45 N. Limite μsN=18 N.
  3. Como 5√3≈8,66<18, o repouso é possível e o atrito efetivo é 5√3 N, oposto à tração horizontal.
  4. Normal não é 50 N e atrito não é automaticamente o máximo 18 N.

Resposta: Sim; N=45 N e atrito 5√3 N, com limite 18 N.

Para conferir seu raciocínio: μsN é o máximo disponível; em repouso o atrito se ajusta à força que precisa equilibrar.

Exercício 4 · Exercício independente

Massas de 2 kg e 6 kg estão nas posições 0 m e 4 m de uma haste sem massa. Onde fica o centro de massa? Em campo g uniforme ele coincide com o centro de gravidade?

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. xCM=(2×0+6×4)/(2+6)=3 m. Ele fica entre as massas e mais perto da de 6 kg.
  2. Em campo uniforme, os pesos são proporcionais às massas, então o centro de gravidade coincide. Para analisar torque a extensão não pode ser ignorada; para translação global pode-se usar o centro como ponto material.

Resposta: 3 m; sim, no campo uniforme.

Para conferir seu raciocínio: O ponto médio 2 m só serviria para massas iguais.

Exercício 5 · Exercício independente

Um bloco de 2 kg desliza para baixo em rampa a 30°, com atrito cinético μ=√3/6. Use g=10 m/s². Desenhe forças, escolha eixos e calcule normal, atrito e aceleração.

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. Peso 20 N vertical; normal perpendicular para fora; atrito paralelo para cima. Peso paralelo 20 sen30°=10 N e perpendicular 20 cos30°=10√3 N.
  2. Sem aceleração perpendicular: N=10√3 N. Atrito=(√3/6)(10√3)=5 N.
  3. No eixo para baixo, 10−5=2a, logo a=2,5 m/s². O resultado é menor que g sen30°=5 m/s² sem atrito.

Resposta: N=10√3 N; atrito 5 N para cima; a=2,5 m/s² para baixo.

Para conferir seu raciocínio: A normal equilibra só a componente perpendicular do peso nesta rampa.

Resumo da aula

Você aprendeu

  • Isole um corpo por vez.
  • Equilíbrio extenso exige força e torque resultantes nulos.
  • Atrito estático deve respeitar um limite, não ser igualado automaticamente a ele.
Revisão editorial

Fontes e atualização

Conteúdo revisado em 05/10/2026.