Física · Intermediário

Resistores, geradores e medidas em circuitos

Leia conexões elétricas por nós, calcule associações e entenda resistência interna, medidores, ponte equilibrada e energia dissipada em circuitos ideais.

3 objetivos 1 exemplo resolvido 9 exercícios com resposta Pré-requisitos: 4 aulas para revisar
Ao final da aula

Objetivos de aprendizagem

  • Distinguir série e paralelo pela conexão.
  • Aplicar conservação de carga e energia.
  • Interpretar geradores reais e instrumentos ideais.

Está difícil? Revise antes: Lei de Ohm, Potência elétrica, Sistemas Lineares com Duas Incógnitas, Cargas, campo elétrico e capacitores

Já domina esses conhecimentos? Continue para o conceito.

Fundamento

Entenda o conceito

Um circuito precisa de caminho fechado para corrente sustentada. O sentido convencional acompanha o movimento que cargas positivas teriam; elétrons em metais derivam no sentido contrário. Corrente i=ΔQ/Δt mede carga por tempo. Corrente contínua mantém sentido; alternada muda periodicamente de sentido. Efeitos incluem aquecimento, ação magnética e transformações químicas.

No desenho, fios ideais conectados pertencem ao mesmo nó e têm o mesmo potencial. Dois resistores estão em série quando a mesma corrente deve atravessar ambos, sem ramificação entre eles; em paralelo quando ligam os mesmos dois nós, recebendo a mesma tensão. Estarem lado a lado no papel não define a associação.

Em série, tensões somam: Req=R₁+R₂+... . Em paralelo, correntes somam: 1/Req=1/R₁+1/R₂+... . Dois resistores iguais em paralelo têm metade da resistência individual. A resistência equivalente paralela deve ser menor que o menor resistor finito positivo do conjunto.

A primeira lei de Ohm U=Ri descreve resistores ôhmicos nas condições em que R é constante. A segunda relaciona forma e material: R=ρL/A para fio uniforme, em que ρ é resistividade, L comprimento e A área da seção transversal. Aquecer geralmente aumenta a resistência de metais; isolantes e semicondutores não seguem necessariamente esse mesmo comportamento.

Em um nó, corrente que entra iguala a que sai: conservação de carga. Numa malha fechada, a soma orientada das variações de potencial é zero: conservação de energia por carga. São as leis de Kirchhoff. Elas permitem resolver circuitos sem redução direta por série/paralelo usando sistemas lineares.

Gerador real é modelado por força eletromotriz ε e resistência interna r. Fornecendo corrente i, sua tensão terminal é U=ε−ri. Um receptor que converte energia elétrica em outra forma, como um motor, pode ser modelado por U=ε′+ri. A parcela ri² dissipa calor internamente. Geradores ideais em série somam tensões com orientação; células reais idênticas em paralelo mantêm ε e reduzem a resistência interna para r/n. Não conecte fontes de tensões diferentes em paralelo como se fossem equivalentes.

Um amperímetro ideal tem resistência zero e entra em série; um voltímetro ideal tem resistência infinita e entra em paralelo. O primeiro mede fluxo de carga no ramo; o segundo, diferença de potencial entre dois pontos. Em diagramas, resistor é retângulo ou zigue-zague, fonte contínua pode ser indicada por pares de traços longo/curto, e instrumentos por A ou V em círculo.

Na ponte de Wheatstone, duas duplas de resistores formam divisores de tensão. Um medidor entre seus pontos intermediários indica zero quando esses pontos têm o mesmo potencial. Se R₁ e R₂ são os resistores superior/inferior do ramo esquerdo e R₃,R₄ os do direito, equilíbrio exige R₁/R₂=R₃/R₄. O ramo central sem corrente pode ser ignorado somente nessa condição.

O efeito Joule converte energia elétrica em calor: P=Ui=Ri²=U²/R no resistor ôhmico. Energia consumida é PΔt para potência constante. Em corrente alternada senoidal puramente resistiva, valores eficazes satisfazem P=Uef·ief; num circuito com defasagem é necessário o fator de potência. kWh mede energia, e não potência.

Em série, duas células reais com polos concordantes somam tanto as forças eletromotrizes quanto as resistências internas. Em paralelo, células idênticas com a mesma polaridade têm tensão comum: a corrente total se divide igualmente e a queda interna é r(i/n), equivalente a resistência r/n. Para malhas acopladas, escolha primeiro o sentido de cada corrente. No resistor compartilhado, a corrente pode ser a diferença das correntes de malha. Um resultado negativo apenas informa que o sentido físico é contrário ao escolhido.

Para organizar Kirchhoff, um ramo é um caminho entre dois nós, sem divisão de corrente no seu interior; uma malha é um percurso fechado. Escolha uma seta para cada corrente, mesmo sem saber seu sentido físico. No nó, iguale a soma das correntes que entram à soma das que saem: carga não se acumula no modelo estacionário. Ao dar uma volta completa, some variações de potencial até voltar a zero: a energia por carga retorna ao valor inicial.

Convenção de sinais na volta: atravessar um resistor no sentido da corrente escolhida dá −Ri; no sentido contrário, +Ri. Atravessar uma fonte ideal do polo negativo para o positivo dá +ε; do positivo para o negativo, −ε. O sentido de percurso da malha é uma escolha independente da seta da corrente. Mantenha as escolhas durante toda a montagem e só interprete os sinais ao terminar.

Retome a rede de três ramos da prática de malhas acopladas: entre A e B, cada ramo tem 2 Ω; os dois primeiros incluem fontes de 10 V e 4 V com polo positivo para A, e o terceiro só o resistor. Com B em zero, VA=V e correntes de A para B, as quedas dão V=10+2i₁, V=4+2i₂ e V=2i₃. No nó, i₁+i₂+i₃=0; substituindo resulta 3V−14=0. Logo V=14/3 V, i₁=−8/3 A, i₂=1/3 A e i₃=7/3 A. O valor negativo de i₁ indica corrente de B para A, não erro na conta. Confira uma volta: −10−2i₁+2i₃=0. Como pensar: desenhe nós e setas, escreva conservação, resolva o sistema e confira pelo menos um nó e uma malha.

Corrente contínua mantém o sentido; corrente alternada inverte o sentido ao longo do tempo. No modelo senoidal i(t)=Iₚ sen(2πft+φ), Iₚ é o pico em ampères, f a frequência em hertz, t o tempo em segundos e φ a fase inicial em radianos. O período é T=1/f. A média algébrica da corrente em um ciclo completo é zero, pois as áreas positiva e negativa se cancelam; isso não significa ausência de aquecimento.

Um resistor ôhmico de resistência constante dissipa p(t)=Ri(t)², sempre não negativa. O valor eficaz Ief é a corrente contínua que produz a mesma potência média: Ief=√⟨i²⟩. Para uma senoide, a média de sen² em um ciclo é 1/2, então Ief=Iₚ/√2; analogamente Vef=Vₚ/√2. Em resistor puro tensão e corrente estão em fase, e Pmédia=Vef Ief=RIef². Para outras formas de onda a razão pico/eficaz pode mudar; para circuitos reativos não se usa Vef Ief como potência ativa sem considerar a fase.

Exemplo guiado: i(t)=2√2 sen(100πt) A tem Iₚ=2√2 A, Ief=2 A, f=50 Hz e T=0,020 s. Em R=10 Ω, a potência média é 40 W, embora a corrente média seja zero. Em 3 s, E=Pt=120 J. Dica: identifique se o dado é de pico ou eficaz antes de aplicar a lei de Ohm; não divida por √2 duas vezes.

Como pensar: leia a função e compare a frequência angular com 2πf, converta o período, encontre o valor eficaz e aplique o balanço de energia. A trigonometria descreve o sinal; a função quadrática explica por que as duas metades do ciclo aquecem o resistor. Este modelo é uma análise didática, não uma atividade de montagem em rede elétrica.

Nó
Conjunto de pontos conectados por fio ideal sem elemento intermediário.
Força eletromotriz
Energia fornecida pela fonte por carga; sua unidade é volt, não newton.
Resistividade
Propriedade do material que entra no cálculo da resistência.
Circuito de uma fonte de 12 V com resistores de 6 Ω e 3 Ω em paralelo.
Duas resistências entre os mesmos nós recebem a mesma tensão. Sob 12 V, os ramos de 6 Ω e 3 Ω conduzem 2 A e 4 A. A soma é 6 A, equivalente a 2 Ω.
Relações e variáveis

Fórmulas explicadas

Req=R₁R₂/(R₁+R₂)

Reduz dois resistores em paralelo.

Quando usar: Somente dois resistores positivos entre os mesmos nós.

Cuidado: Não use essa expressão diretamente para três resistores.

R₁,R₂
resistências Unidade: Ω
U=ε−ri

Desconta a queda interna no gerador que fornece corrente.

Quando usar: Modelo de gerador real em regime contínuo.

Cuidado: Receptor exige outra convenção de sinais.

ε
força eletromotriz Unidade: V
r
resistência interna Unidade: Ω
i
corrente fornecida Unidade: A
Do enunciado à interpretação

Exemplo resolvido passo a passo

Exemplo resolvido

Dois caminhos para a corrente

Enunciado

Resistores de 6 Ω e 3 Ω estão em paralelo sob 12 V. Ache Req e a corrente total.

Dados
  • 6 Ω e 3 Ω
  • 12 V
Fórmula
1/Req=1/6+1/3; i=U/Req
Substituição
Req=2; i=12/2

Resolução

  1. As correntes dos ramos são 2 A e 4 A.
  2. Sua soma é 6 A e confirma Req=2 Ω.

Resultado: 2 Ω e 6 A.

Interpretação: A fonte fornece a soma das correntes; a tensão é comum.

Pratique · Tente antes de abrir a solução

Exercícios com solução

Tente resolver sem consultar a resposta; uma estimativa inicial ajuda a perceber sinal, unidade e ordem de grandeza.

Exercício 1

Uma fonte ε=12 V e r=1 Ω alimenta um resistor de 5 Ω. Determine corrente e tensão no resistor externo.

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Solução passo a passo

  1. i=12/(1+5)=2 A.
  2. U=5×2=10 V, também 12−1×2=10 V.

Resposta: 2 A e 10 V.

Exercício 2 · Exercício independente

Uma ponte recebe 12 V entre topo e base. Ramo esquerdo: 2 Ω em cima e 4 Ω embaixo. Direito: 3 Ω em cima e 6 Ω embaixo. Um voltímetro ideal liga os pontos médios. Qual sua leitura? Qual corrente um amperímetro ideal em série com o ramo esquerdo indica?

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Solução passo a passo

  1. Esquerda: I=12/6=2 A; ponto médio está a 2×4=8 V da base. Direita: I=12/9=4/3 A; ponto médio a (4/3)×6=8 V.
  2. Voltímetro ideal lê diferença zero e não retira corrente. A ponte está equilibrada: 2/4=3/6.
  3. Amperímetro em série indica 2 A. Colocá-lo diretamente entre terminais da fonte ideal criaria um curto no modelo; V mede entre nós e A mede um ramo.

Resposta: Voltímetro: 0 V; amperímetro: 2 A.

Para conferir seu raciocínio: Amperímetro ideal não substitui voltímetro: sua resistência nula altera o circuito quando colocado em paralelo.

Exercício 3 · Exercício guiado

Duas fontes ideais de 6 V em série e no mesmo sentido alimentam um motor de força contraeletromotriz 8 V e resistência 2 Ω. Calcule corrente, potência elétrica recebida pelo motor, potência convertida e perda Joule.

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Solução passo a passo

  1. Tensão fornecida 6+6=12 V. Malha: 12−8−2i=0, logo i=2 A.
  2. Potência recebida 12×2=24 W; convertida 8×2=16 W; Joule 2×2²=8 W.
  3. 16+8=24 W confirma conservação. A corrente é contínua no modelo; a conversão mecânica não elimina o aquecimento.

Resposta: 2 A; 24 W recebidos, 16 W convertidos e 8 W dissipados.

Para conferir seu raciocínio: Somar a contraeletromotriz à fonte aumentaria a corrente de um motor que se opõe à alimentação.

Exercício 4 · Aplicação integrada

Um fio ôhmico uniforme tem R=20 Ω. Outro do mesmo material e temperatura tem comprimento duplo e área de seção metade da original. Qual sua resistência? Ligado a 120 V eficazes senoidais por 2 h, qual potência média e energia consumida?

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Solução passo a passo

  1. Resistência nova: 20×2/(1/2)=80 Ω; a resistividade é a mesma. Isolante não seria modelado automaticamente como esse fio ôhmico.
  2. Carga puramente resistiva: P=Uef²/R=14.400/80=180 W; corrente eficaz 1,5 A.
  3. Energia=0,180 kW×2 h=0,36 kWh. São 1.296.000 J, pois 1 kWh=3.600.000 J; o consumo é energia, não potência.

Resposta: 80 Ω; 180 W; 0,36 kWh (1.296.000 J).

Para conferir seu raciocínio: Reduzir a seção aumenta a resistência; não a reduz na mesma proporção.

Exercício 5 · Exercício independente

Em 3 s, 6×10¹⁸ elétrons atravessam a seção de um fio para a esquerda. Use e=1,6×10⁻¹⁹ C. Qual módulo de carga transferida, intensidade média e sentido convencional da corrente?

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Solução passo a passo

  1. Módulo de carga: Ne=0,96 C. Corrente média: 0,96/3=0,32 C/s=0,32 A.
  2. A corrente convencional aponta para a direita, oposta ao deslocamento dos elétrons negativos. Intensidade média não informa se a corrente foi constante em cada instante.

Resposta: 0,96 C; 0,32 A para a direita.

Para conferir seu raciocínio: Confundir o fluxo de elétrons com o sentido convencional troca a orientação da corrente.

Exercício 6 · Exercício independente

Duas células idênticas, cada uma ε=6 V e r=1 Ω, alimentam resistor de 4 Ω. Compare série concordante com paralelo de mesma polaridade. Ache corrente total e tensão na carga em cada caso.

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Solução passo a passo

  1. Série: εeq=12 V, req=2 Ω, i=12/(4+2)=2 A; U=4×2=8 V.
  2. Paralelo: εeq=6 V, req=0,5 Ω, i=6/4,5=4/3 A; U=16/3 V. Cada célula fornece 2/3 A.
  3. No paralelo, confira U=6−1×(2/3)=16/3 V. Paralelo não soma as tensões nem elimina totalmente a resistência interna.

Resposta: Série: 2 A e 8 V. Paralelo: 4/3 A e 16/3 V.

Para conferir seu raciocínio: Somar tensões de fontes em paralelo confunde tensão comum com soma de correntes.

Exercício 7 · Nível de prova — autoral

Dois nós A e B têm três ramos em paralelo: uma fonte ideal de 10 V (positivo voltado a A) em série com 2 Ω; uma fonte ideal de 4 V (positivo a A) em série com 2 Ω; e resistor de 2 Ω. Tomando B como zero, qual VA e corrente no resistor sem fonte? A) 14/3 V e 7/3 A B) 7 V e 7/2 A C) 14/3 V e 14/3 A D) 3 V e 3/2 A.

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Solução passo a passo

  1. Nos ramos: i₁=(V−10)/2, i₂=(V−4)/2, i₃=V/2. Kirchhoff no nó A: i₁+i₂+i₃=0.
  2. 3V−14=0: V=14/3 V e i₃=7/3 A. Resultam i₁=−8/3 A e i₂=1/3 A: a fonte de 10 V fornece corrente e a de 4 V a recebe.
  3. A soma −8/3+1/3+7/3=0 confere. B ignora o terceiro ramo; C esquece dividir por 2 Ω; D trata as fontes como série em oposição sem respeitar os nós.

Resposta: A) 14/3 V; 7/3 A de A para B.

Para conferir seu raciocínio: A conexão por nós determina as equações; proximidade no desenho não torna os elementos série.

Exercício 8 · Prática guiada

Uma tensão v(t)=120√2 sen(120πt) V alimenta um resistor ideal de 60 Ω. Determine frequência, tensão eficaz, corrente eficaz e potência média.

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Solução passo a passo

  1. f=60 Hz e Vef=120 V.
  2. Ief=120/60=2 A.
  3. P=120×2=240 W; a corrente média no ciclo é zero.

Resposta: 60 Hz; 120 V; 2 A; 240 W.

Exercício 9 · Prática de nível de prova

Um resistor de 50 Ω recebe i(t)=4 sen(100πt) A durante 10 minutos. Calcule período, corrente eficaz ao quadrado, potência média e energia em joules e kWh.

Ver solução passo a passo

Solução passo a passo

  1. f=50 Hz, T=0,020 s; Ief²=4²/2=8 A².
  2. P=50×8=400 W.
  3. 10 min=600 s: E=240000 J=0,4×(1/6)=1/15 kWh.

Resposta: T=0,020 s; Ief²=8 A²; P=400 W; E=240000 J=1/15 kWh.

Resumo da aula

Você aprendeu

  • Série compartilha corrente; paralelo compartilha tensão.
  • Nós e malhas expressam conservação.
  • Fontes reais dissipam parte da energia internamente.
Revisão editorial

Fontes e atualização

Conteúdo revisado em 16/10/2026.